Entidades representativas cobram atenção da sociedade sobre propostas em disputa e apontam riscos de retrocessos administrativos e cortes em serviços essenciais.
Às vésperas do segundo turno das eleições gerais, dezenas de entidades representativas de servidores públicos federais divulgaram um manifesto para alertar a população sobre a polaridade das propostas em debate no próximo dia 25. Dois projetos de Estado distintos estão em disputa, com consequências decisivas para o futuro do serviço público, as condições de trabalho e os direitos da categoria.
O documento aponta que, de um lado, reaparecem propostas de reforma administrativa sob o argumento de modernizar o Estado. As instituições alertam que tais medidas podem comprometer a estabilidade dos servidores, ampliar a precarização dos vínculos e fragilizar a autonomia do Poder Público, ressaltando que a estabilidade é uma garantia institucional contra pressões políticas e econômicas.
O manifesto também critica a gestão do presidente argentino Javier Milei, marcada pela redução da máquina estatal. Um decreto recente no país vizinho instituiu um plano de demissão voluntária que pode atingir 21.000 servidores, somando-se a 77.000 vagas fechadas no serviço público argentino desde janeiro de 2023. Para as entidades brasileiras, o modelo oferece um alerta claro sobre os custos sociais de tais políticas.
Entre os principais pontos levantados pelo documento estão as perspectivas de congelamento ou redução salarial, restrições ao ingresso de novos profissionais e demissões em larga escala. As organizações enfatizam que a discussão envolve a preservação de carreiras, o conhecimento técnico e a capacidade de resposta do Estado às demandas essenciais da população.
A garantia do direito à negociação coletiva e à livre organização sindical também foi apontada como fundamental. Segundo as entidades, a interrupção de canais de diálogo e as tentativas de enfraquecer o sindicalismo ameaçam conquistas históricas, enquanto o diálogo institucional recente permitiu retomar reajustes e tratar de perdas remuneratórias acumuladas ao longo dos anos.
A carta compara ainda os modelos de gestão pública recentes, destacando que o período anterior foi marcado por assédio institucional, perseguições e restrições à negociação. Em contrapartida, o momento atual restabeleceu interlocuções, reconhecendo a importância do funcionalismo para o funcionamento e a entrega de políticas públicas eficientes à sociedade brasileira.
Por fim, o texto reforça que cortes no orçamento federal e a redução de gastos sociais podem comprometer áreas vitais, como transferência de renda, moradia, fornecimento de medicamentos e incentivo educacional. O documento é assinado por 13 entidades representativas de áreas estratégicas, entre elas Sindifisco Nacional, Sinditamaraty, Anesp, Afipea, Sinait, Assecor, Unacon Sindical, Anffa e Sindsusep.
FONTE: AGÊNCIA BRASIL
